No XII Domingo do Tempo Comum, o Evangelho nos mostra as razões que alimentam nossa vida e nossa esperança, e nos dão conteúdo para nossa missão e serviço. Apresenta-nos um momento significativo do caminho de Jesus, quando Ele pergunta aos discípulos o que as pessoas pensam dele e como eles mesmos O julgam. São Pedro responde em nome dos Doze, com uma profissão de fé que se diferencia de modo substancial da opinião que as pessoas têm sobre Jesus; com efeito, ele afirma: “Tu és o Messias de Deus”! (cf. Lc 9, 20).

Muitos de nós, nesse mundo secularizado em que vivemos, poderia perguntar: De onde nasce este ato de fé? Se formos ao início deste trecho evangélico, constataremos que a confissão de Pedro está ligada a um momento de oração: "Jesus rezava num lugar afastado. Os discípulos encontravam-se com Ele", diz São Lucas (cf. 9, 18). Ou seja, os discípulos são envolvidos no ser e no falar absolutamente únicos de Jesus com o Pai. E deste modo eles são convidados a ver o Mestre no íntimo da sua condição de Filho, é-lhes concedido ver aquilo que os outros não conseguem ver. Mas sabemos também que é ação do Espírito Santo na vida de Pedro que o faz professar que Cristo é o Salvador do mundo.
Os discípulos, de fato, "estão com Ele". "Permanecer com Ele" em oração deriva em um conhecimento que vai além das opiniões das pessoas para chegar à profunda identidade de Jesus – à verdade. A primeira pergunta denota as diversas interpretações de ontem e de hoje sobre Jesus. Que diz o povo que eu sou?
A liturgia desta semana nos oferece uma indicação bem específica para a vida e a missão de todo fiel batizado: na oração, ele é chamado a redescobrir o rosto sempre novo do seu Senhor e o conteúdo mais autêntico da sua missão. Só quem mantém uma relação íntima com o Senhor é conquistado por Ele, que se deixa conduzir pelo Espírito Santo, pode levá-Lo aos outros, pode ser enviado. Trata-se de um "permanecer com Ele", que deve acompanhar sempre o nosso itinerário de fé.

Depois da confissão de Pedro, Jesus anuncia a sua paixão e ressurreição, fazendo seguir-se a esse anúncio um ensinamento relativo ao caminho dos discípulos, que consiste em segui-Lo, em seguir o Crucificado, em segui-Lo ao longo do caminho da cruz. E depois acrescenta – com uma expressão paradoxal – que o ser discípulos significa "perder-se a si mesmo", mas para voltar a encontrar-se plenamente a si mesmo" (cf. Lc 9, 22-24). Que significa para o cristão perder-se a si mesmo? O sinal distintivo do poder de nosso Senhor Jesus Cristo é a cruz que Ele carregou nas costas. Com efeito, a todos Jesus dizia: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me" (Lc 9, 23). Tomar a cruz significa comprometer-ser para derrotar o pecado que impede o caminho rumo a Deus, aceitar diariamente a vontade do Senhor, aumentar a fé, sobretudo diante dos problemas, das dificuldades e dos sofrimentos. Na época hodierna, muitos são os cristãos no mundo que, animados pelo amor a Deus, tomam todos os dias a cruz, tanto a das provações quotidianas como a provocada pela barbárie humana, que às vezes exige a coragem do sacrifício extremo. No kit da JMJ, os jovens terão uma cruz para que coloquem em seu peito. Nestes dias, um dos símbolos da JMJ, a cruz, percorre o nosso Estado e no início do próximo mês estará aqui na capital. O Senhor conceda que cada um de nós deposite sempre a nossa esperança sólida em Cristo, persuadidos de que, seguindo-O e carregando a nossa cruz, chegaremos juntamente com Ele à luz da Ressurreição.

A cruz e a morte estão intimamente ligadas ao messianismo de Jesus. A concepção triunfalista cai por terra. O cristão deve saber que o seguimento de Jesus sempre terá cruzes, porém, cruz gloriosa, pois nela Cristo venceu a morte. A escolha de Jesus é o caminho do “servo sofredor”, inspirado no livro Segundo Isaías (Is 40-55). Decorre daí que o seguimento de Jesus se concretiza por meio de rupturas e opções. Rupturas com toda forma de egoísmo e poder; com toda preocupação de buscar o brilho próprio dos que dominam, dos que são obcecados em pregar a si mesmo e não a Cristo, daqueles que fazem de tudo para destruir o outro e não entendem que Deus acolhe os mais humildes e os sofredores. Opções pelo serviço humilde e abnegado em vista de uma sociedade de amor, de justiça e de paz. De fato, Jesus não anuncia a sua morte como fato definitivo. A ressurreição é o destino dos que dão a vida pelo Reino. O êxodo pelo qual Jesus tem de passar, incluindo a própria morte, vai possibilitar a entrada na terra da liberdade e da vida plena, onde já não haverá egoísmo nem dominação de espécie alguma.
Pela adesão em Jesus Cristo nos tornamos semelhantes a Ele. Pelo batismo nos revestimos de Jesus, mergulhamos na sua própria vida. Agora nos tornamos uma unidade na diversidade. Portanto, “não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e livre, entre homem e mulher”. Ficam assim eliminadas as barreiras que nos separavam, sejam de raça, de gênero ou de classe social. Somos chamados a construir uma civilização nova, do amor, em que Justiça e Paz se abraçarão!A JMJ daqui a um mês será um belo momento de manifestarmos esses ideais ao mundo!
Seg, 24 de Junho de 2013
Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Fonte : CNBB