ocasião da visita ao Hospital São Francisco, onde é feito um trabalho caridoso e competente de recuperação de dependentes químicos. O difícil assunto a abordar era a droga. E ele o abordou de maneira serena e firme.
Em primeiro lugar, afirmou que a situação da droga hoje em dia pede da sociedade um gesto de coragem. Isto implica uma postura consciente, decidida e articulada contra a droga, buscando sempre as causas de onde brota o problema, em cuja raiz existem duas vertentes. Uma é a ganância, que leva os traficantes a perderem o escrúpulo de matar para garantir o seu lucro. Outra vertente é a falta de valores, especialmente nos jovens, que se tornam vulneráveis diante de ofertas feitas de modo traiçoeiro por quem deseja envolvê-los para depois explorá-los.
De fato, o problema da droga é tão sério que a sociedade deveria se declarar em estado de calamidade, para um enfrentamento claro contra “os mercadores da morte”.
No combate contra a droga é preciso integrar as duas dimensões, lembradas na abertura do Concílio pelo Papa João XXIII, referindo-se à severidade e à misericórdia. Muito otimista, João XIII observava que a Igreja ganha mais usando hoje o remédio da misericórdia, do que o remédio da severidade.
Com a droga, é preciso integrar as duas posturas. Com os traficantes, usar o remédio da severidade. Com as vítimas da droga, usar o remédio da misericórdia, revestindo-nos dos sentimentos de Cristo, que tinha compaixão com as multidões, mas batia de rijo contra os fariseus.
Portanto, com os “mercadores da morte”, o remédio da severidade. Para com os drogados, o remédio da misericórdia. Com isto, inverteríamos a tendência: em vez da droga degenerar a sociedade, o combate contra ela redescobriria o caminho para a sua realização verdadeira.
Por : Dom Demétrio Valentini, Bispo de Jales (SP)
Fonte : CNBB