19/09/2013 :: A onipotência suplicante junto à Onipotência divina
Deus, sendo Onipotente, não tem necessidade de nenhum dos seres que criou. E também não precisaria ter criado Nossa Senhora para que as suas graças fossem comunicadas aos homens, salvando as almas por meio d'Ela. Como está acima de tudo, o Altíssimo poderia ter disposto as coisas de outro modo.
Entretanto, uma vez que Deus A criou por um ato libérrimo de sua vontade, e a cumulou de uma torrente de graças, que "sobrepujou não só a de cada um em particular, mas a de todos os Santos reunidos" , Deus lhe conferiu o império sobre todo o universo, de sorte que entre Ela e Deus, há "uma mediação de poder, e não apenas de graça, pela qual Deus executa todas as suas obras e realiza todas as suas vontades por intermédio de sua Mãe".
Em virtude de sua maternidade divina, há entre a Santíssima Virgem e o Padre Eterno "certa unidade de parentesco e como que um consórcio jurídico". Esta íntima ligação entre Maria e a Trindade faz com que a sua súplica seja poderosa e eficaz. Ademais, Nosso Senhor Jesus Cristo, recebendo de Maria a natureza humana, dava a Ela todos os direitos maternos, "ao qual corresponde em Cristo uma como que obrigação de conceder-lhe o que Ela pede" Por este motivo, Santo Efrém a Maria suplicava dizendo:
Em ti espero que conseguirei o que anseio [...], pois em ti tens o querer e o poder, porque, ainda que de modo inexplicável, tu engendraste a um da Trindade; tens com o que persuadir e mover; mãos nas quais o levaste de maneira inefável, peitos com cujo leite virginal o alimentaste [...].
Recorramos aos Evangelhos para compreendermos a fundo a realidade desta questão.
Celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: "Eles já não têm vinho". Respondeu-lhe Jesus: "Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou". Disse, então, sua mãe aos serventes: "Fazei o que Ele vos disser". [...] Jesus ordena-lhes: "Enchei as talhas de água". Eles encheram-nas até em cima. "Tirai agora, disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes." E levaram.(Jo 2, 1-8).
Não havia sido comunicado a Maria que o vinho da festa acabara. Não estando Ela sentada à mesa -- fazia parte do costume judaico que, nos banquetes, as mulheres ficassem separadas dos homens, supervisionando o serviço de mesa ou preparando os alimentos --, percebeu a difícil situação na qual se encontravam os nubentes, e seu compassivo coração, não podendo presenciar embaraçosa cena, decide intervir junto ao seu Divino Filho. Julgava Ela ser esta a ocasião preparada pela Providência para Jesus finalmente revelar ao mundo o seu segredo messiânico.
Nosso Senhor, possuindo o conhecimento perfeitíssimo de todas as coisas, sabia da dificuldade pela qual aquele novo casal estava passando, mas queria servir-se da aflição deles para "instruir seus discípulos e associar Nossa Senhora à sua obra, mostrando o papel decisivo da mediação de sua Mãe". Depois de afirmar não ter ainda chegado o momento dos milagres, Cristo transforma a água em vinho e deixa marcado para a História que, "apesar de não haver chegado a hora, por uma palavra dos lábios da Mãe, Ele nos atenderá".
Deus "concedeu-lhe plenos poderes a fim de nos valer". Ela é "o ponto de convergência e de espargimento de todas as graças divinas". Todos os pedidos feitos através d'Ela são agradáveis aos olhos de Deus, pois só Ela encontrou graça diante d'Ele, como declarou o Arcanjo São Gabriel no momento da Anunciação: "Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus" (Lc 1, 30).
Posta por Deus ao alcance de todos os homens, a Virgem Imaculada obtém do Pai tudo aquilo que só com as nossas orações jamais conseguiríamos alcançar. Invocar o socorro de Maria significa obter os favores celestes, pois assim está determinado pela Providência: tudo o que precisamos, haveremos de receber por intermédio da Auxiliadora dos Cristãos. Afinal, "quem é aquele que pediu socorro a esta doce Soberana e ela não o atendeu? [...] Quem jamais solicitou vosso poderoso patrocínio e por [ela] foi desamparado? Tal caso nunca se deu e nunca se há de dar".
"Eia, pois, Advogada nossa", ensina a Igreja, a todos os seus fiéis, a invocar esse auxílio. Ao advogado cabe interceder por seus clientes até que o juiz se torne favorável à sua causa. Esta é a tarefa que a Santíssima Virgem exerce por meio de suas súplicas.
Alguém poderia pensar que seria mais lógico pedir, de uma só vez, auxílio a todos os santos que estão no Céu, pois tendo eles já alcançado a bem-aventurança eterna, também têm o poder de rogar pelos homens junto a Deus. Um pedido feito em coro não seria mais eficaz do que o feito por uma só? Não é assim que as coisas se dão no Céu. Como afirma o Santo Padre, o Papa Pio VII, "as preces dos demais bem-aventurados se apoiam unicamente na benignidade divina; as de Maria, em certo maternal direito. Por isso, acercando-se ao trono de seu divino Filho, pede como advogada, ora como

serva, impera como Mãe". A este respeito, dirige Santo Efrém uma belíssima prece à Rainha de todos os santos, que comprova como já naqueles séculos era reconhecida a suprema prelazia dos rogos de Maria. "Por isso, acudo somente a tua eficacíssima proteção, oh! Senhora, Mãe de Deus! [...] Tu, como nenhum outro, tendes livre acesso para com aquele que de ti nasceu".
Tão grande é, portanto, o poder de intercessão da Imaculada, que com razão Ela é exaltada pela Igreja com sendo a "Onipotência suplicante". Todas as esperanças de reconciliação se encontram em Maria: Ela é uma "rainha onipotente, porque pode tudo junto d'Aquele que tudo pode, e que A constituiu Medianeira de todas as suas graças".
Por Irmã Cássia Thaís Costa Dias de Arruda, EP
Fonte : Gaudium Press
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