05/03/2021 :: Meditação da Quaresma: Pe. Marinko Šakota fala sobre a dimensão mental e espiritual do jejum

 
 

DIMENSÃO MENTAL E ESPIRITUAL DO JEJUM

 

Um dos participantes do seminário de Jejum realizado na Casa da Paz, pergunta ao Pe. Slavko Barbarić: “Padre Slavko, o senhor nos diz como o jejum nos ajuda a encontrar a paz, mas quando jejuo fico nervoso, fico bravo com os meus familiares, com minha esposa e filhos. Não é melhor não jejuar para não ficar nervoso, do que jejuar e ficar nervoso? ” Padre Slavko respondeu-lhe: "É melhor jejuar e não ficar nervoso." E então ele acrescentou: "Se no mundo apenas aquelas pessoas que jejuassem ficassem nervosas, haveriam no mundo poucas pessoas nervosas."

Portanto, o que dizer daquelas pessoas que não fazem jejum e ficam nervosas, com raiva dos outros, xingam ...? O jejum não nos deixa nervosos e inquietos, mas nos ajuda a descobrir as causas do nervosismo e da inquietação.

 

A Rainha da Paz nos ensina que o jejum está a serviço da paz – assim como a paz no coração do homem, e assim também a paz na família e a paz no mundo. “Também hoje os convido a orar e jejuar pela paz. Como já disse e repito a vocês agora, filhinhos, somente por meio da oração e do jejum as guerras podem ser interrompidas. A paz é um presente precioso de Deus. Peçam, orem e você o receberá. " (25 de fevereiro de 2003)

 

Ao falar de jejum, partimos do fato de que o homem precisa de comida e bebida. E o próprio Jesus não pensa que para as pessoas é necessário apenas o alimento espiritual. Em vez disso, Ele tem muita compaixão pelas pessoas que vieram ouvi-Lo no deserto por causa da fome espiritual. 

"Naqueles dias, como fosse novamente numerosa a multidão, e não tivessem o que comer, Jesus convocou os discípulos e lhes disse: “Tenho compaixão deste povo. Já há três dias perseveram comigo e não têm o que comer. Se os despedir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe!”. (Mc 8, 1-3)"

 

Da mesma forma, quando ele ressuscitou a filha de Jairo, Jesus não se esqueceu das necessidades do corpo dela. "Ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse e mandou que lhe dessem de comer." (Mc 5:43)

Jejuando (deixando de comer e beber), nós não desvalorizamos a comida e a bebida! Porque são dons de Deus! Mas apenas os redescobrimos! Como um presente!

Mas além de comida e bebida para o corpo, o homem precisa de comida e bebida para a alma, porque o homem não é apenas um corpo nem foi criado apenas para este mundo. É por isso que quando Satanás diz que precisamos de comida e bebida apenas para o corpo, Jesus responde: " Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mt 4: 4). Portanto, no jejum não ficamos apenas na superficialidade, no cuidado do corpo, mas vamos para o nosso interior e nos esforçamos para a higiene da alma.

 

Por causa de hábitos e apegos, existe em nós uma compulsão a comer e beber mais do que necessitamos, a juntar coisas que não precisamos. É absurdo que possamos pensar que tudo está bem conosco, que somos livres, mas ao contrário nos tornamos escravos de hábitos e apegos que nos impõe: “Você deve pegar, você tem que beber álcool; você tem que ser alguém aos olhos dos outros; você tem que jogar; você tem que ver TV e celular; você tem que possuir cada vez mais e mais ..”. Se estamos presos às coisas estamos sob coação: “Tire esses bolos da minha frente! Não posso vê-los sem pegá-los. Tire esses cigarros dos meus olhos! Eu não me aguento sem não acender um. Saia de perto de mim! Eu não posso ver ou ouvir você e não ficar aborrecido."

 

Onde está a solução? Fugir das coisas e das pessoas ou distanciá-las de você? O jejum nos ensina a aguentar! A posição do frei Slavko é: “Quem aprende a conviver com as coisas, pode também conviver com as pessoas”.

O jejum é o caminho da escravidão para a liberdade, por meio da renúncia. "Vocês, filhos, são livres para escolher o bem ou o mal. É por isso que os chamo: orem e jejuem. " (25 de janeiro de 2008). Se uma pessoa aprende a conviver com as coisas pelo jejum, sem pegar tudo o que lhe é oferecido e tudo o que ela deseja, ela será capaz de viver e de ser paciente com as pessoas, mesmo quando está dominada pelo nervosismo, pela raiva ... Assim, em nós são fortalecidas as nossas forças interiores, porque aprendemos a ter paciência e espera. E são precisamente essas forças mentais (paciência, espera, não pegar tudo o que deseja de uma vez, manter as esperanças quando estiver difícil) que o homem de hoje facilmente perde. Com o enfraquecimento da força mental, tornamo-nos incapazes de superar as dificuldades que encontramos na vida (no estudo, na família, no trabalho, quando aparece a cruz ...).

 

Como podemos notar quando se perde ou falta essa força mental?  Padre Slavko nos responde: “Por exemplo, se desesperar assim que se encontrar em uma situação difícil ... Muitos, por exemplo, começam a se drogar porque não têm força mental para se opor às drogas”. (de Slavko B.)

 

Se a força mental é forte ou fraca podemos observar especialmente entre os casais. "Ninguém se casa com uma pessoa que não ama. Mas existem muitos divórcios. Porque?  Talvez por que não podem lidar com seu parceiro em uma particular situação. Eles não têm forças para suportar o outro e perdoá-lo – e assim a família se destrói. " (de Slavko B.)

Se uma pessoa aprende a conviver com as coisas pelo jejum, sem tocá-las, sem ser escravizada por elas, aprende a ser paciente mesmo quando não tem (todas) as coisas, ou seja, não toma (todas) as coisas que deseja. Essa pessoa será capaz de viver, ser paciente com as pessoas mesmo quando ela vê seus defeitos, suas fraquezas, os erros cometidos, em momentos de raiva e nervosismo, ele não será tentado a tirar o cisco do olho do outro.

 

Simone Weil nos diz: “Pode ser que o vício, a corrupção e o crime quase sempre representem a tentativa do homem de comer a beleza, de comer aquilo que deveria apenas ser olhado. Eva deu inicio a isso. Se ela, por ter comido aquela fruta, provocou a queda do homem, então para a salvação da humanidade  seria necessário um comportamento contrario, olhar o fruto sem comê-lo !

 

É nesta direção deve ir a educação de crianças e jovens, para o jejum. As crianças não devem jejuar como os adultos, com pão e água, mas é bom para os pais dizerem aos filhos: “Este chocolate é seu. Hoje é sexta-feira, então não coma ele hoje. Deixa para amanhã. " Assim, você ensina a criança a ser paciente, a ser capaz de esperar, a não satisfazer todos os desejos que aparecem.

 

Jesus pede aos discípulos que tenham apenas duas túnicas porque isso é necessário. Mas não mais de duas! Por meio do jejum, nós nos libertamos da coerção, não permitindo que eles nos governem. "Desligue a televisão e deixem várias coisas que não são úteis para você." (13 de fevereiro de 1986) O jejum fortalece muito em nós a palavra CHEGA: chega de vícios e coerção! Assim, em nós se expande o espaço de liberdade interior, e é por isso que podemos, então, adotar uma postura diferente diante da pressão e dizer: não tenho que beber álcool, não tenho que jogar, não tenho que xingar, não tenho que reagir com nervosismo, posso sem isso ou aquilo, e assim mesmo viver ...

 

O filósofo Diógenes comia pão e lentilhas. Ele foi visto pelo filósofo Aristóteles, que viveu confortavelmente, porque bajulava o rei. Aristóteles disse-lhe: "Aprenda a ser submisso ao rei e não viverás dessa comida pobre, pão e lentilhas." Diógenes respondeu a ele: "Aprenda a viver de pão e lentilhas, para não ter que puxar o saco do rei."

A Rainha da Paz nos avisa que o Maligno existe, que Ele quer nos submeter a ele, mas nos ensina que podemos resistir às tentações do Maligno. “Satanás está tentando impor seu poder sobre você. Não o deixe fazer isso. Permaneça firme na fé, jejue e ore. ” (16 de novembro de 1981)

 

Em que sentido o jejum ajuda na luta contra Satanás? "Gregório, o Grande, observa que o diabo, sendo simplesmente um espírito, não tem necessidade de riquezas materiais e que deixa isso de bom grado para nós. Essa generosidade tem apenas um objetivo, pois assim ele pode nos pegar mais facilmente: pode nos possuir através de nossas posses; pode nos manter sob controle com a ajuda das coisas às quais estamos apegados. O melhor escudo espiritual, então, é a renúncia aos bens mundanos. A nudez é a nossa armadura mais forte. ” (Fabrice Hadjadj)

 

O jejum ajuda a alcançar a nudez. Jejuar significa despir-se, deixar tudo aquilo em que nos apegamos, confiamos, com que nos protegemos e nos entregamos, com uma confiança cada vez maior a DEUS. Contra a Serpente (símbolo do Maligno) que está nua não podemos lutar com roupas, dependendo das coisas, do ego, mas apenas devemos estar nus.

Ao jejuar, por um lado, falamos NÃO a escravidão interior das coisas e a Satanás, e por outro lado dizemos SIM a Deus, escolhemos a liberdade.

 

“Neste tempo, desejo, de modo especial, que vocês renunciem àquelas coisas às quais estão apegados e que prejudicam a sua vida espiritual. Para isso, filhinhos, decidam-se completamente por Deus e não permitam que Satanás entre em suas vidas através daquelas coisas que prejudicam vocês e sua vida espiritual.” (25 de fevereiro de 1990)

Assim entendemos que o jejum não é apenas uma luta contra o Maligno, mas nos ajuda a fortalecer nossa fé, nossa confiança em Deus. "Quero agradecer-lhe de coração pelos seus sacrifícios quaresmais. Desejo encorajá-lo a continuar a viver o jejum com o coração aberto. Com jejum e renúncia, filhinhos, vocês serão mais fortes na fé. ” (25 de março de 2007). "Queridos filhos, neste momento os convido à oração, ao jejum e à renúncia para serem mais fortes na fé." (25 de janeiro de 2021)

 

O jejum nos ajuda a distinguir entre o que é necessário e o não é necessário, entre o necessário para a vida e a ganância. Existem coisas necessárias para a vida: comida, bebida, roupa, um teto sobre a cabeça ... Mas também há coisas supérfluas. Também existe o apetite por ter mais. Essa fome torna o homem cego para o que ele já possui.

 

Em um seminário de jejum e oração, uma jovem percebeu que seus armários estavam entulhados de vestidos. Alguns ela havia usado só uma ou duas vezes e, em seu desejo de adquiri-los, muitas vezes só faltou "arrancou os olhos" dos pais por causa deles. No momento em que se alimentava somente com pão e água, seus olhos se abriram e revelaram a ela o excesso, que antes ela não havia visto.

 

A Rainha da Paz nos convida a jejuar, para a abrir os olhos para tantos dons que Deus nos dá todos os dias. 

“Neste tempo quaresmal de graça, convido-os a abrir seus corações aos dons que Deus lhes deseja dar. Não se fechem: com oração e renúncia digam sim a Deus e Ele os atenderá generosamente. Como na primavera a terra se abre à semente que produz cem por um, assim também o Pai Celeste lhes dará em abundância.”(25 de fevereiro de 2006).

 

"Para se viver é necessário pouco, muito pouco", disse St. Leopold Bogdan Mandic. Jejuando, eu percebo: “Não preciso de muito para viver. Não preciso de muito para ser feliz.".  O jejum nos ensina a modéstia e a simplicidade de vida e com isso a liberdade. "É melhor comer pão com água do que uma torta com a desgraça." (A. Solzhenitsyn)

Sv. Paulo é um exemplo de homem que está contente apesar das adversidades da vida. "

"Não é minha penúria que me faz falar. Aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso naquele que me conforta."

 

Se houver mais do que precisamos, nossa vida espiritual pode estar em perigo porque podemos nos acostumar com isso e não ver aquilo que temos, antes de tudo aumenta em nós a sensação de que precisamos ainda mais. E tudo isso nos torna cegos, para o que é essencial e realmente importante para a vida. Assim, não vemos mais a "única coisa necessária" sobre a qual Jesus fala a Marta e a "única coisa que esta faltando" sobre a qual Jesus fala ao jovem rico.

 

O jejum é semelhante ao ato de extração do escultor, esculpindo uma pedra tira o excesso, o que não é necessário, para chegar à figura que ele vê na pedra. O jejum é a extração, remoção, abandonar as coisas sem importância que ocupam muito a nossa atenção e tomam o nosso tempo, a fim de descobrir o que realmente importa, a única coisa necessária para a vida. Jejuar é se tornar como Maria, que se sentou aos pés de Jesus, observando e escutando Ele.

Com o jejum, conhecemos a Deus e desperta em nós a consciência da grandeza e da profundidade do Seu amor por nós. "Portanto, filhinhos, arme-se com a oração e o jejum para que tenham consciência do quanto Deus os ama e quanto estão fazendo a vontade de Deus." (25 de outubro de 2008).

 

Além de conhecer o amor de Deus por nós, o jejum desperta em nós o amor a Deus, a fome, a necessidade de Deus e o desejo de fazer a Sua vontade. Jesus é um exemplo dessa fome e sede da proximidade do Pai e do desejo de fazer a sua vontade: «meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra» (Jo 4, 34).

 

A Rainha da Paz nos ensina que o significado do jejum é aproximar-se de Jesus. “Também hoje, convido você a jejuar e renunciar. Filhinhos, renunciem ao que os impede de estar mais perto de Jesus. ” (25 de março de 1998).  "Desejo aproximar todos vocês, filhinhos, de meu Filho Jesus, e para isso vocês devem rezar e jejuem." (25 de julho de 2004)

 

O desejo por Jesus, pelo Noivo, estar perto dele, esse é o sentido do jejum. "Os discípulos de João e os fariseus jejuavam. Por isso, foram-lhe perguntar: Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? ” Jesus respondeu-lhes: “Podem porventura jejuar os convidados das núpcias, enquanto está com eles o esposos? Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão” (Mc 2: 18-20).

 

Precisamos de jejum, porque muitas coisas tiram o nosso Noivo, porque muitas coisas nos distanciam de Jesus e da oração. Jejuemos para que pudéssemos retornar a Jesus, para que pudéssemos ser semelhantes a Ele por dentro, com o coração.

 

Jesus nos ensina que para o jejum é importante não ser um ato diante das pessoas, mas exclusivamente uma expressão de uma relação pessoal com Deus. “Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que je­juam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará. ” (Mt 6: 16-18)

 

Se jejuarmos diante de Deus, que vê no segredo, e não diante dos homens, nosso jejum se tornará um ato para os homens, por que em nos irá despertar o amor para as necessidades das pessoas. Se em nós não tivermos amor pelas pessoas, é um sinal claro de que nós estamos precisando de conversão.

 

Jejuando, superamos a nós mesmo, mas não que tivéssemos atingido a vitoria com a própria força, pois isso poderia fortalecer ainda mais o nosso ego - mas para que nos rendêssemos cada vez mais ao Espírito Santo, para ele nos guie, nos inspire e nos modele.

 

 

Fonte: Medjugorje HR

 

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